10. Terra de Mothvana

traduzido por Heloísa Helena Rosas de Almeida

Um feixe de lagartas estão sentadas sob uma casca de árvore.

Uma delas pergunta: "Algum de vocês acredita realmente em Mothvana?"

Uma respondeu: "É só uma pequena lenda, uma antiga escritura sagrada sobre cascas de árvores que se ocupa destes assuntos:
Nós agora somos tão avançadas, estamos no topo! Eu acredito em evolução e ... "

Outra interrompeu: "Essa questão é tão antiga quanto a nossa espécie. Mesmo com toda essa nova tecnologia, ainda não há nenhuma resposta conclusiva."

E a outra pergunta: "O que é Mothvana? Pode defini-la? Pode observa-la? Pode medi-la? Tem um começo? Tem um fim?
Onde estão seus métodos científicos, pessoal?

Vamos, dêem um tempo com esse tal de mumbo-jumbo ...

E então a outra diz: "Mesmo que existisse, quem iria querer estar lá? Nenhuma casca confortável pra a gente se roçar!

Se esses rumores fossem verdadeiros, então alguém não estaria lá? Árvore nenhuma, de jeito nenhum.

Que idéia terrível!

Alguém diz: "Sim!" Do outro lado desta árvore, lá, não pode haver nada além de vazio! Vacuidade! Menos que nada!"

Uma das mais velhas lagartas diz: "Eu venho estudando as escrituras das Cascas Sagradas durante toda a minha vida e lhes digo: Creia e será salvo! Arrependa-se agora, ou então o todo poderoso Pica-Pau devorará você por toda a eternidade!"

"Sim, sim", zombou uma outra. "Qual é a próxima - o camaleão Árvore verde?

Deixa disso, vamos mastigar um suco de folha e continuar a vida! "

"Eu não posso ser totalmente excluído, já que as outras árvores tão boas podem estar lá", disse alguém e todas riam muito.

"Eu tenho certeza de que se nós nos sacudirmos de uma ponta a outra da casca, eventualmente seremos livres!"alguém reivindicou.

"Livres para quê?? Que propósito isso teria? Esta árvore é tudo que conta - tudo o mais não passa de especulação selvagem - opium de lagartas - vamos nos organizar e nos certificar de que ninguém ficará com a melhor parte da casca em prejuízo do restante de nós".

Uma outra lagarta diz com convicção: "Eu sei que lá, há um caminho, fora desta árvore! Mas eu não iria até que todos os seres que vivem nesta árvore tenham saído primeiro!"

"Eu também" anunciou a outra.

"Que gente tola!", alguém objetou. "Se ambas querem ir, e se uma só for, se a outra for primeiro, nenhuma das duas irá. Dá pra ver isso? "

De repente, há um tumulto na colônia.

"Eu posso ver a luz!" Alguém afirma.

"Ah! Não! Outro fanático de novo!" Uma pessoa suspirou.

"Eu estou atravessando para o outro lado!" Insiste a lagarta.

"Você só pode estar drogada" alguém diz pra ela.

" Ninguém que vai para o outro lado pode contar sobre isso. Só isso já é prova suficiente de que essa bobagem é nada mais do que uma arquitetura mental", proclamou uma das lagartas.
"Não, não!! "  Gritou aquela que viu a luz. "Nosso corpo macio é apenas uma casca, uma gaiola!"
Uma vez que você se liberte, você pode abandona-lo. E também a árvore!"

"Volte aqui, menino tolo!" Sua mão está chamando você.

" É impossível se libertar dessa árvore! Ninguém, de jeito nenhum!"

"Primeiro você precisa der membro da Ordem das Lagartas Iluminadas. Não  há nenhuma crisálida valiosa fora da nossa Santa Comunidade! Deve se tratar de um triste caso de desilusão."

"Sim!" Alguém acrescentou. "Além do mais não pode haver salvação até que, nesta árvore surja o próximo Prédio dos Iluminados."

E a comunidade política das lagartas chama a polícia das lagartas e manda prendê-la: "Estas idéias estranhas são anti-sociais e significam um profundo distúrbio mental. Uma ameaça à sociedade."

"Não se preocupe", disse um cientista! Felizmente desenvolvemos uma nova droga que ajuda a aliviar esses sintomas. Entretanto, não é barato. Nós gastamos muitos milhões de prédios - dólares para desenvolvê-la, por fim... "

Mas quando eles agarraram a lagarta que tinha visto a luz, só encontraram uma casca vazia.
Foi então que, a lagarta se desdobrou e viu que a terra de Mothvana eram os céus.
Olhou para as asas multicoloridas e se apercebeu como uma linda borboleta.

E no raiar de um novo dia, essa borboleta bateu suas asas...


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